Realizar uma licitação de calçados escolares parece simples, mas quem trabalha no setor público sabe: não é!
Antes mesmo da publicação do edital, o órgão já enfrenta uma série de desafios técnicos e operacionais que tornam o processo lento, complexo e vulnerável a falhas.
Tudo começa no ETP (Estudo Técnico Preliminar). O gestor precisa definir qual modelo de tênis é adequado para a idade dos alunos, entender quais materiais são mais resistentes, quais normas técnicas aplicar, como especificar solado, densidade, cabedal, costura, conforto e ergonomia, tudo isso sem muitas vezes ter conhecimento técnico aprofundado sobre calçados.
Depois vem outra barreira: obter orçamentos confiáveis para formar a base de preços.
Poucas empresas respondem, outras enviam propostas incompletas, e muitas não possuem documentação técnica mínima, o que atrasa a fase interna e compromete a qualidade do termo de referência.
E mesmo quando o ETP avança, surge outro problema comum: a falta de acesso a demonstrações físicas dos calçados. Sem ver o produto, tocar, analisar conforto, acabamento e durabilidade, é difícil para o órgão ter segurança de que está exigindo em edital o item adequado para sua rede escolar.
No fim, o gestor fica responsável por conduzir um processo complexo, técnico e cheio de detalhes sem suporte especializado, correndo o risco de elaborar um termo de referência incompleto, publicar um edital frágil ou contratar um produto que não atende a necessidade real dos alunos.







